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Encontro global endossa prioridades de educação pós-pandemia 

Cerca de 11 chefes de Estado e 64 ministros da Educação de 97 países participam esta quinta-feira em um encontro sobre educação organizado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco. 

Realizado em parceria com os governos do Gana, da Noruega e do Reino Unido, o objetivo era definir prioridades durante a recuperação da pandemia de Covid-19 e garantir financiamento para o setor. 

Pandemia 

Chefe da Unesco discursando no encontro sobre educação global, Unesco/Christelle ALIX

Participaram no encontro o secretário-geral, António Guterres, a subsecretária-geral, Amina Mohammed, e personalidades como a atriz Angelina Jolie e o economista Jeffrey Sachs.  

Na abertura da reunião, o chefe da ONU destacou o impacto da Covid-19, dizendo que “o mundo está em risco de uma catástrofe geracional.” 

A pandemia teve um impacto desproporcional nas crianças e jovens mais vulneráveis ​​e marginalizados, destacou o secretário-geral. Centenas de milhões de pessoas perderam a educação e milhões podem nunca continuar sua jornada de aprendizado. 

António Guterres disse que “o progresso alcançado, especialmente para meninas e mulheres jovens, está ameaçado.” Segundo dados da ONU, cerca de 11 milhões de alunas podem não regressar à escola depois da pandemia. 

Segundo ele, é preciso apoiar a recuperação da aprendizagem em países de baixa e média rendas e incluir a educação em todos os pacotes de estímulo. 

Investimento 

O financiamento para a recuperação é um dos grandes temas do encontro. Antes da crise, os países de rendas baixa e média já enfrentavam um déficit de financiamento da educação de US$ 1,5 trilhão por ano. Agora, o valor aumentou. 

Antes da crise, os países de rendas baixa e média já enfrentavam um déficit de financiamento da educação de US$ 1,5 trilhão por ano

Guterres disse que o mundo terá “sucesso investindo naqueles que têm maior risco de ficar para trás, em professores treinados e respeitados, e em escolas que são seguras.” 

Ele destacou ainda a importância de investimentos em conectividade e tecnologias digitais para reimaginar a educação e o reconhecimento de que “a educação é um bem comum global.’ 

Para o secretário-geral, “o financiamento e a vontade política são essenciais.” 

Crise 

Em meados de julho, mais de 160 países tinham suas escolas fechadas. A medida afetava mais de 1 bilhão de estudantes em todo o mundo. 

Pelo menos 40 milhões de alunos, em todo o globo, ficaram sem acesso ao pré-escolar, um período vital para o desenvolvimento infantil. 

Em seu discurso, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, realçou “a maior interrupção da educação da história” e homenageou “todos os professores do mundo, que correm riscos para educar nossas crianças.” 

Alunas regressam à escola na Mauritânia depois de meses com escolas fechadas, Unicef/Raphael Pouget

Declaração 

No final do encontro, os Estados-membros adotaram uma declaração com base em um documento político publicado pelo secretário-geral em agosto.  

A declaração aponta áreas como financiamento, inclusão, professores, reabertura segura, conectividade e coordenação como prioridades de ação.  

Encerrando o encontro, a subsecretária-geral, Amina Mohammed, disse que vários ingredientes essenciais agora são necessários para dar vida a esta declaração. Primeiro, vontade política. Depois, inovação. 

Para Amina Mohammed, voltar ao normal “significaria ignorar as profundas mudanças acontecendo no setor de tecnologia e nos mercados de trabalho em todo o mundo.” 

Declaração requer capacitar milhões de professores, especialmente na África e aumentar urgentemente parcerias para conectar todas as escolas, professores e alunos à internet

Além disso, “significaria aceitar o fato inaceitável de que, mesmo antes da Covid-19, cerca de 250 milhões de crianças estavam fora da escola e mais da metade das crianças em idade escolar em todo o mundo não tinham habilidades básicas de leitura.” 

Para ela, a implementação da declaração requer capacitar milhões de professores, especialmente na África e aumentar urgentemente parcerias para conectar todas as escolas, professores e alunos à internet. 

Também se devem aproveitar todas as oportunidades para que os sistemas educacionais sejam mais abertos, flexíveis e criativos, para que os jovens “possam prosperar em um mundo complexo e em rápida mudança.” 

Em terceiro e último lugar, a vice-chefe da ONU disse que o mundo precisa de colaboração multilateral eficaz, marcada “por maior solidariedade para com os países mais vulneráveis.” 


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